Você já deixou a sua saúde de lado para cuidar de outras pessoas? Ignorou algum sinal do corpo porque as outras coisas pareciam mais importantes?
Conhecemos a dona Lenilza Emília Dalcol, 73 anos e aposentada, durante os nossos atendimentos em Cavalcante, Goiás, na Expedição Sertões 2026. Ela conta que não fazia uma mamografia há anos.
“Fazia muito tempo. Sete anos e largava pra lá. Uma vez saiu pra mim lá em Brasília e eu perdi. Aí não fiz, larguei pra lá. Tem uns sete anos que eu não fazia. E me arrependi demais. Eu sempre pensando em cuidar, ajudar os outros, as outras pessoas, a família…”, relata dona Lenilza.
Para garantir o diagnóstico precoce e taxas mais eficazes de tratamento, as Sociedades Médicas recomendam que os exames de rastreio do câncer de mama, em especial a mamografia, sejam feitos anualmente em mulheres a partir dos 40 anos.
“De uns anos pra cá, eu estou sentindo que eu estou diferente. O meu próprio organismo, eu estou sentindo que ele está diferente. De vez em quando me dá uma agonia, um mal estar. Aí eu comecei a sentir que uma mama minha estava diferente da outra. Só que eu não fui no médico. Larguei pra lá. Falei, ah, vou amanhã, vou depois… E aí o que aconteceu? Agora eu estou com problemas. Deu uma alteração no exame”.
Este ano foi a primeira vez que levamos o mamógrafo para a cidade de Cavalcante, com o nosso programa Saúde da Mulher – Anariá. Dona Lenilza conta que enfrenta dificuldades para realizar mamografias em sua região, já que seria necessário o deslocamento para Goiânia (7 a 8 horas de carro) ou Brasília (4 a 6 horas de carro).
“Se não fosse vocês, não sei nem se eu faria essa mamografia ainda. Ia demorar. Foi bom que vocês vieram. Tô muito feliz, sabe? Foi Deus que mandou vocês aqui. Foi Jesus que abriu essa porta pra mim fazer esse exame. Através disso que eu descobri minha doença, que ela tá lá dentro, encubada, e eu nunca tinha notado nada. Agora eu tenho que correr atrás, né? E passar pras pessoas que a gente tem que largar um pouco a família e se cuidar mais. Vou me cuidar daqui pra frente, vou fazer a abençoada da biópsia”.
Agora, dona Lenilza já deu início a seu tratamento e iremos acompanhá-la até o final. Ela já iniciou a bateria de exames que precisa fazer e, assim que terminá-los, vai realizar a cirurgia. Nós também disponibilizaremos atendimento psicológico para ela durante todo esse difícil processo. “To aqui na luta. Às vezes eu não sinto nem dor porque foi maravilhoso tudo o que vocês fizeram por mim. Eu não tenho nem palavras pra agradecer, Deus abençoe todos vocês”.
O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, o tipo de câncer mais incidente e fatal na população feminina brasileira. A história de dona Lenilza reforça como a prevenção e o diagnóstico precoce podem salvar vidas. Levar saúde especializada às regiões remotas do país é um passo fundamental para ampliar o acesso ao cuidado e garantir que esse direito chegue a todos, independentemente de barreiras geográficas.
“Mulheres, se cuidem demais, porque eu me relaxei, eu me descuidei, entendeu? Eu larguei pra lá, e não pode fazer isso. Mas a vida é muito pequenininha pra você ficar pensando só nos outros. Antes eu pensava mais nos outros do que em mim própria. Agora não, agora daqui pra frente eu vou pensar mais em mim. Não vou ficar desesperada, nada disso. Eu vou só me cuidar agora”, finaliza dona Lenilza.