O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais do Brasil e mobiliza milhões de pessoas em todo o país. Ao mesmo tempo em que representa celebrações e festividades em ambientes públicos, o período também amplia situações de exposição a riscos à saúde, devido ao aumento das interações íntimas, o que torna esse momento estratégico para reforçar a importância da prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), entre elas o HPV (Papilomavírus Humano), vírus associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, especialmente o câncer do colo do útero.
Sobre os sintomas, tratamentos e prevenção
A transmissão do HPV ocorre principalmente por contato direto com a pele ou mucosa infectada, incluindo relações sexuais com ou sem penetração. Como grande parte das pessoas infectadas não apresentam sinais ou sintomas, o vírus pode ser transmitido de forma silenciosa. No entanto, quando há manifestações, elas podem incluir verrugas genitais na região genital, anal, oral ou na garganta, que podem causar desconforto, coceira ou ardência. Em alguns casos, as manifestações surgem meses ou até anos após a infecção, o que reforça a necessidade de estratégias contínuas de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento.
Alguns tipos de HPV de alto risco estão associados a alterações no colo do útero e ao desenvolvimento de câncer, cujos sinais variam conforme a localização da lesão. Sendo assim, o tratamento torna-se extremamente necessário e pode incluir a eliminação das lesões por meio do uso de medicamentos tópicos, além de procedimentos como cauterização ou crioterapia e, em casos específicos, intervenções cirúrgicas. A definição da conduta depende da avaliação clínica, da extensão das lesões e do acompanhamento por profissionais de saúde.
A prevenção é a principal forma de proteção e envolve a vacinação contra o HPV, o uso de preservativo nas relações sexuais e a realização periódica de exames preventivos, que permitem identificar alterações precocemente e reduzir o risco de complicações futuras.
Fortalecendo o cuidado
Nesse contexto, a SAS Brasil atua diretamente no fortalecimento da prevenção e do acesso ao cuidado especializado por meio da Linha de Cuidado Anariá, que promove ações de atenção integrada à saúde feminina, com rastreamento estruturado do câncer do colo do útero, associado ao HPV.
Unindo telessaúde, inovação, inteligência artificial e exames presenciais, a organização social desenvolveu um sistema qualificado e seguro, capaz de reduzir significativamente o tempo de espera no SUS para um atendimento completo e resolutivo. O rastreamento do câncer cervical é realizado nos consultórios das Unidades de Telemedicina Avançadas (UTAs), por meio de exames como Papanicolau, teste molecular Cobas© e telecolposcopia, analisados por ginecologistas da SAS Brasil, que definem as condutas clínicas e os encaminhamentos necessários.
Mulheres com resultados negativos para câncer do colo do útero podem permanecer por até cinco anos fora da fila do SUS para novos exames. Já aquelas que apresentam HPV e necessitam de tratamento para lesões contam com atendimento nos consultórios itinerantes instalados nas carretas da SAS Brasil. Com esse modelo de atuação, o intervalo entre prevenção, diagnóstico e tratamento pode ser reduzido de até dois anos para cerca de dois meses.