Home Bastidores Comunicador, você já achou o seu propósito? 

Comunicador, você já achou o seu propósito? 

por Ana Beatriz Viana Arruda

E se parássemos de perguntar às crianças “o que você quer ser quando crescer?” e começássemos a questionar “qual problema você quer resolver?”. Ouvi essa provocação no Foro de Empreendimento Social do EFES e desde então fiquei pensando o quanto isso teria me ajudado a enxergar meu propósito de vida mais rapidamente. 

Confira : Levar odontologia para quem mais precisa com a SAS Brasil

Sempre tive muito claro na minha cabeça: quero ser jornalista. Parecia óbvio. Gosto de escrever. Gosto de histórias. Mas, hoje, percebo que ser capa de jornal e estar na rua diariamente cobrindo o assunto do dia nunca foi o foco. Apesar de já ter feito tudo isso com brilho nos olhos. 

 Depois de um tempo, entendi que muito mais do que o meu nome assinando uma reportagem, meu real propósito na profissão era o de aproximar pessoas de histórias que de outra maneira elas jamais conheceriam ou se interessariam. 

Nos meus tempos de repórter, sempre fugia do óbvio. Fiz reportagem sobre a vida de coveiros, de detetives, de um projeto de conservação de tartarugas… Contei a história de uma senhora que pedia dinheiro em uma passarela movimentada de Natal (e fui conhecer a casa que ela morava), mesmo sedentária, escalei o Pico do Cabugi pra mostrar as histórias dos trilheiros, fiéis e escoteiros que buscavam o cume do vulcão extinto e muito mais.

Experiências que me fizeram sair da redação com muito mais do que um bloco de anotações. Em muitas dessas pautas, precisei de coragem, de força, de serenidade para aguentar a emoção. Mas, o objetivo final sempre foi o mesmo. Conectar pessoas a histórias que elas nunca pensariam em conhecer. É como uma missão, de fato. 

Acredito que ao conhecer histórias, sejam elas boas ou ruins, as pessoas se movimentam. Sempre penso assim: se mostramos coisas boas, as pessoas se inspiram a seguir o exemplo. Se mostramos coisas ruins, as pessoas se motivam para fazer diferente, para transformar aquela realidade. 

Na SAS Brasil, startup social que está transformando o acesso à saúde especializada no Brasil, encontrei o propósito que me fez largar a redação do jornal. Hoje, atuo na coordenação da equipe de Comunicação da SAS Brasil. E temos um propósito muito claro: mais do que informar, queremos inspirar as pessoas. 

Marina na expedição SAS Brasil

E isso vai muito além de simplesmente mostrar sorrisos gratos das milhares de pessoas que pela primeira vez na vida tiveram acesso a um médico especialista ou de contar os relatos inspiradores de voluntários. 

A comunicação de um negócio social é também um grande desafio. Trabalhamos diariamente com a quebra de paradigmas.

Não fazemos caridade. Nos propomos a realizar uma mudança sistêmica. Não queremos doação. Batalhamos para que as pessoas nos reconheçam como um investimento social. Não queremos autopromoção. Unimos pessoas que acreditam que é preciso fazer alguma coisa que realmente mude a vida de 65 milhões de brasileiros que vivem em cidades sem sequer um médico especialista.

O Terceiro Setor é uma importante engrenagem para as mudanças da nossa sociedade. Somos o “projeto piloto”, a “versão teste”, o “MVP” capaz de mostrar como é possível encontrar novos caminhos para resolver um problema gigante. 

Mas, como mostramos tudo isso? A Comunicação é parte vital desse processo. Em 2018, quando assistia às aulas de Comunicación para el desarrollo, da professora Hildegart Gonzalez, enquanto estava na FCOM, da UNAV, li um estudo que falava sobre as estruturas das equipes de comunicação de várias instituições do terceiro setor na Espanha. Oxfam, MSF, Ayuda en Acción e muitas outras tem um organograma robusto nas áreas de comunicação. 

A razão é óbvia: fomos acostumados a tratar o impacto social de uma atividade como algo sem prioridade. Como mostramos, agora, que a transformação social pode e deve andar lado a lado com qualquer coisa que nos propomos a realizar? Falando sobre isso! Mostrando experiências, fornecendo dados, contando histórias. Enfim, comunicando. 

Marina durante mutirinho em Cavalcante (GO), 2020

Hoje o meu sonho pessoal é que a SAS Brasil caminhe para aqueles organogramas que conheci em 2018. E é muito bom sonhar acordada, sabendo que aos poucos o sonho está se tornando realidade. Nossa equipe está cada vez mais consolidada. E temos planos saindo do papel para atuar em parceria com Universidades de Comunicação. Afinal, os novos profissionais precisam conhecer desde cedo os caminhos possíveis para a realização pessoal e profissional. 

Se você chegou até aqui e não é da minha família (beijo mãe, pai, irmã e marido!), talvez esse texto tenha despertado algo em você. Por isso, reafirmo. Jornalista, RPs, publicitários… comunicadores: o propósito da nossa profissão também pode estar longe das redações dos grandes jornais ou agências. 

O mundo precisa de pessoas dispostas a transformar narrativas. Hoje sei o que quero ser quando crescer. Alguém que inspira as pessoas a encontrar a melhor forma de resolver esse grande problema: afinal, como comunicamos um negócio de impacto? 

Não tenho todas as respostas. Mas, aqui na SAS Brasil, já começamos a encontrar algumas. Se você quer descobrir junto e fazer parte disso, fala comigo! Vamo que vamo.

Escrito por Marina Cardoso

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