Home Inovação em Saúde Projeto da Fiocruz de combate à covid-19 em favelas do Rio é lançado em live com Adriana Mallet, do SAS Brasil

Projeto da Fiocruz de combate à covid-19 em favelas do Rio é lançado em live com Adriana Mallet, do SAS Brasil

por Gabriel Toueg

Na iniciativa, SAS Brasil será responsável pelos atendimentos por telemedicina

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou hoje (19), com parceiros como o SAS Brasil, o projeto Conexão Saúde: de olho na covid. A iniciativa busca contribuir para o enfrentamento da pandemia de covid-19 no Complexo da Maré e em Manguinhos, comunidades na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Além do SAS Brasil, fazem parte do projeto o Conselho Comunitário de Manguinhos, a Redes da Maré, o Dados do Bem e a União Rio.

A iniciativa conta com o apoio da gestão municipal, por meio das unidades de saúde, e inclui desde a orientação e o apoio à população local, até o atendimento via telemedicina fornecido gratuitamente pelo SAS Brasil. Ainda contempla a testagem molecular, o rastreamento de quem teve contato com alguém infectado pelo novo coronavírus e a produção de mapas de risco dentro das comunidades. Além do processamento das amostras dos testes RT-PCR, a Fiocruz atuará na coordenação do projeto e será responsável pela capacitação dos profissionais envolvidos, logística das etapas, doação de insumos para coleta e transporte das amostras para seus laboratórios.

Periferização da covid-19

Segundo o coordenador do projeto pela Fiocruz, Valcler Rangel, a ideia é ampliar o acesso dos moradores das duas favelas aos serviços de saúde durante a pandemia, oferecendo uma cadeia completa de atendimento, desde a possibilidade de um diagnóstico precoce da doença e acompanhamento clínico até a realização de testes de diagnóstico do novo coronavírus e o rastreamento de contactantes. “Queremos promover o isolamento seguro, monitorar via telemedicina de maneira articulada com as equipes de saúde da família e internar o paciente quando for necessário”, disse Rangel. “Os dados mostram uma periferização da doença ao longo do tempo. As maiores taxas de mortalidade estão concentradas nas favelas. A população negra tem o maior percentual de óbitos”.

De acordo com Rangel, uma segunda etapa do projeto prevê que ele possa ser replicado em outras favelas e periferias como um modelo de intervenção para emergências em saúde pública já testado em nível local.

Durante o lançamento virtual do projeto, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, destacou a importância da parceria das instituições públicas com a iniciativa privada de forma articulada com as lideranças comunitárias. “A articulação da sociedade civil voltada para soluções não pode prescindir de uma construção coletiva”.

(Continua depois do vídeo)

Também presente na live de lançamento do projeto, o médico Drauzio Varella ressaltou ser fundamental o trabalho prévio da Fiocruz com as duas comunidades, onde moram cerca de 180 mil pessoas, para que a iniciativa possa trazer bons resultados e ser replicada em outras localidades do país. Para a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, o projeto traz o reconhecimento do papel primordial das lideranças comunitárias para o acesso às comunidades. “São as legítimas representantes das pessoas e dos problemas que são mais prevalentes nessas comunidades”.

A representante do Conselho Comunitário de Manguinhos, Patricia Evangelista, lembrou que a emergência sanitária evidenciou as desigualdades vividas nas favelas como a falta de saneamento básico, de água, e de habitações adequadas. “A população mais vulnerável só tem acesso ao sistema público de saúde que já estava precário antes da pandemia, o que dificulta e coloca mais em risco a vida das pessoas”.

Inovação, acesso e resolutividade

Ao apresentar o SAS Brasil durante a live, a médica Adriana Mallet, coordenadora de Saúde da organização, lembrou que telemedicina tem a ver com inovação, acesso e resolutividade. “Estruturar inovação é resolver problemas, inovação que não resolve problema não é inovação”, disse ao lembrar que se trata de uma solução de acesso à saúde de dentro de casa, com segurança. “Falamos de acesso humanizado: quando há uma operação (policial) numa comunidade, ainda conseguimos estar dentro da casa do paciente”, afirmou. Ela lembrou inclusive dos atendimentos psicológicos realizados por telemedicina pelo SAS Brasil no Complexo do Alemão. “A gente não entra na favela, precisa ser convidado”, disse.

Para a médica, telemedicina também é sobre resolutividade. “Mais de 95% dos casos eu consigo resolver o problema do paciente sem que ele precise buscar uma unidade de saúde presencialmente, e isso tem um grande valor hoje”, disse. Adriana explicou que os atendimentos não são apenas para casos relacionados à covid-19. “Acreditamos muito nesse projeto como um modelo replicável em todo o Brasil”, afirmou.

Em outro ponto da live, ela lembrou que se fala muito sobre inclusão digital na saúde e explicou o processo feito pelos voluntários SAS Brasil, com os agendamentos, triagem e até os testes de vídeo, para auxiliar os usuários. “Do mesmo jeito que o paciente na favela aprendeu a usar o WhatsApp, ele aprende a usar o que precisa para usar a telemedicina”. Adriana mencionou ainda que a parceria com a iniciativa privada é importante para dar acesso à saúde à população carente, como operadoras de celular que podem franquear a banda para o uso da telemedicina.

O Conexão Saúde: de olho na covid recebeu cerca de R$ 1,6 milhão do Todos pela Saúde, iniciativa liderada pelo Itaú Unibanco que tem financiado uma série de ações para o enfrentamento da pandemia.

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