Novos voluntários aumentam família SAS Brasil em ação multidisciplinar perto de Brumadinho

Por Gabriela Freire Valente, equipe Comunicação SAS Brasil

Quase metade do time de voluntários que estão atuando no entorno de Brumadinho desde a última sexta-feira (5) é estreante no SAS Brasil. Esses 25 profissionais de diversas áreas estão ajudando a aumentar a família SAS Brasil, que hoje já conta com mais de 800 pessoas. É o caso do engenheiro civil Bruno Gama. Dias antes do início da ação, ele perguntava em uma de suas (várias) mensagens enviadas à coordenação da ONG: “O que eu preciso levar? Como será a reunião desta semana? Estou ansioso!”.

Enquanto a região recebe a ação #SASemBrumadinho, que está levando atendimento médico, psicológico, odontológico e veterinário, projetos de sustentabilidade e muito amo à região, nossos voluntários, novos e antigos, vão deixando de associar a cidade mineira ao que é um dos maiores desastres humanos e ambientais do Brasil, o rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, e dando a ela novos significados.

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E se toda expedição do SAS Brasil é sempre precedida por um punhado de expectativas específicas, Brumadinho parece alimentar uma ansiedade especial, como acontece com Bruno. Tão ansioso quanto ele está o Barbixa, palhaço que o engenheiro interpreta há dois anos em um trabalho desenvolvido com a ONG Presente de Alegria.

Bruno (à dir.), como seu personagem Barbixa: muita alegria para crianças da região de Brumadinho (foto: Gabriela Valente)

“O Barbixa é palhaço voluntário na área de psiquiatria infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo, um lugar mágico que só conhece quem atravessa sua porta verde de esperança”, garante o engenheiro. “Quando fiquei sabendo da ação do SAS Brasil em Brumadinho, tinha certeza de que não ficaria de fora! Eu faria de tudo para ir nessa expedição, todos sabemos a situação difícil que a cidade enfrentou e quanto a região precisa de ajuda”.

Bruno conheceu o SAS Brasil por meio de uma amiga, que participa das ações há cerca de um ano. Ele garante: se apaixonou pelo trabalho da ONG. “Fiquei realmente tocado e com vontade de me jogar no projeto”. Bruno e o Barbixa estão atuando na Alegria. Às vésperas da expedição, ele dizia esperar conseguir “arrancar o maior número de sorrisos, apertar o maior número de abraços e ajudar aquelas pessoas a não se esquecerem do passado nunca mas a vislumbrar um futuro, um futuro que é delas e que não pode ser roubado jamais”. Ele não podia estar mais correto na torcida: dezenas de crianças passaram pelos brinquedos, oficinas e jogos da Alegria nas duas comunidades rurais e na aldeia indígena pataxó que o SAS Brasil está atendendo até a segunda-feira (8).

Criançada se divertiu com os palhaços da Alegria (foto: Thays Rossignoli)

Saúde mental estreia com 5 profissionais

Além dos tradicionais atendimentos de ginecologia, oftalmologia, dermatologia e odontologia, o SAS Brasil está fazendo a primeira ação completa de saúde mental em Brumadinho, com o projeto Puxirum. A iniciativa tem a participação de cinco psicólogos e psiquiatras como Mariana Brasil Sá, que debutou não apenas na ONG como também no voluntariado de forma geral. “Sempre quis fazer algum trabalho voluntário na minha área”, diz Mariana. “Fiquei sabendo recentemente do projeto do SAS Brasil em Brumadinho e me pareceu a oportunidade perfeita para começar!”.

Mariana trabalha no ambulatório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e cursa um ano adicional de residência médica em Psiquiatra da Infância e Adolescência. Ela pretende levar sua experiência em saúde mental para acolher a população da região de Brumadinho e encaminhar os casos que demandem tratamento para serviços de acompanhamento.

O psicólogo Guilherme Guimarães também está atuando no Puxirum, com um olhar específico para o tratamento de dependência em álcool e drogas. Ele trabalha no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp e representa, na ação do SAS Brasil, a iniciativa independente Núcleo Broto, que promove estudos e capacitações sobre o tema. “Gosto muito desse trabalho com pessoas”, diz ele. “Espero poder desmistificar a abordagem da dependência química na área da saúde”, comentou. “Estou achando sensacional o trabalho da ONG e o que me chama atenção é essa coisa mais humana, que usa o lúdico para levar amor e ajuda a quem precisa”.

O desejo de cuidar e de ajudar o próximo é um dos principais fatores de aproximação entre o SAS Brasil e voluntários das mais diversas idades. Foram esses princípios que levaram Julia Garcia a se inscrever para a ação em Brumadinho. Às vésperas de começar a cursar medicina na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), o que ocorrerá em agosto, Julia se dizia ansiosa para viver tudo que a atuação com o SAS Brasil pode propiciar. “Essa viagem está me ajudando e ensinando de muitas formas: fazer o que amo, que é ajudar as pessoas, e ter contato com uma realidade totalmente diferente da minha”.

O dentista Ary Renberg já acumula 25 anos de experiência como professor de endodontia na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) e em outras instituições de ensino, mas será voluntário pela primeira vez em Brumadinho. Além da carreira como docente, ele já trabalhou na rede pública e possui seu próprio consultório de odontologia. Foi com o desejo de “ser útil em qualquer esfera para quem estiver precisando” que ele se inscreveu para atuar com o SAS Brasil sem nem saber qual seria o destino da expedição. “Não sou altruísta, mas gosto de ser útil!”, brinca.

Ary Renberg, dentista novo do projeto Sorrisaria: ‘gosto de ser útil’ (foto: Antonio Filho)

O amor e o carinho dos nossos voluntários não são restritos aos humanos. Se dizendo “animada e tensa”, a médica veterinária Gabriela Esteves Duarte já tinha sido voluntária antes, mas se inscreveu para participar do projeto Patinhas Amigas pela primeira vez. Em sua experiência voluntária, ela tem atuações na Copa Brasil de Paracanoagem e na ONG Anjo e Patas.

Na expedição, Gabriela e duas colegas de profissão, Larissa Tavares e Mayra Lopes, estão oferecendo cuidados a cães e gatos das três comunidades. “Nunca estive em uma ação assim!”, confessou. Até equinos foram tratados: 4 cavalos passaram pela equipe de veterinárias. Gabriela tem conversado com os tutores sobre cuidados com os animais. “O atendimento acaba se estendendo ao cuidado com os tutores. Muitas vezes os animais são o suporte emocional dos humanos”, ressalta.

Gabriela Esteves durante atendimento de cachorro em comunidade rural (foto: Gabriel Toueg)

A expedição #SASemBrumadinho termina na terça-feira (9) com um passeio que os voluntários farão para o Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo. Por meio do programa Inhotim para Todxs, a equipe terá gratuidade na visita. A expectativa da ação é beneficiar centenas de pessoas por meio dos projetos do SAS Brasil.

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