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OPINIÃO: O legado do terceiro setor na pandemia

por Sabine Zink

O texto a seguir foi publicado originalmente no site do jornal O Estado de S. Paulo

A pandemia de covid-19 trouxe grandes impactos ao país, especialmente na economia. Segundo o relatório “Panorama Econômico Mundial“, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a pandemia do novo coronavírus deverá custar ao mundo mais de US$ 9 trilhões, gerando uma crise econômica sem precedentes na história. Ainda de acordo com a publicação, a retratação econômica no Brasil deverá ser, neste ano, da ordem de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

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Além do impacto na economia, a crise também deixou marcas quanto ao cuidado social do país: sem a oportunidade de trabalhar devido à quarentena, muitas famílias se afundaram ainda mais em problemas sociais diretamente ligados à pobreza. Com isso, as organizações do terceiro setor, fundamentais diante dessa crise, também tiveram que se reinventar para ajudar essa parcela da população, buscando alternativas, como o trabalho remoto, quando possível de ser realizado.

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Ainda que com todos os males da covid-19, o ano foi propulsor do fortalecimento da cultura de cuidado com o próximo e da mudança de valores. Organizações foram decisivas para mobilizar a sociedade civil e levar esperança à população, tocando em setores essenciais na engrenagem social, como saúde e educação — Sabine Zink, cofundadora e diretora do SAS Brasil

Com o colapso da crise, o Estado não teria abraçado tantas pessoas em situação de vulnerabilidade que precisaram ainda mais de um olhar de atenção e de transformação, como foi feito por instituições Brasil afora. Muito além de atuar dando suporte e sobrevivência a quem precisa, elas foram decisivas para engajar as pessoas a ajudarem.

Tecnologia como aliada

A tecnologia foi outra forte aliada das organizações que precisavam alcançar seus objetivos e trazer impacto em seus serviços, em especial na saúde. O teleatendimento, por exemplo, se tornou um modelo efetivo e seu uso tem surtido efeitos positivos nas comunidades mais vulneráveis, de Norte a Sul do país. Grandes empresas têm se juntado para levar atendimento médico e psicológico a essa parcela da população, seja em regiões mais afastados, seja em grandes centros urbanos.

As doações também se destacaram na pandemia. Dados do Monitor de Doações, da Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR), mostram que as doações no país, desde o início da pandemia, somaram R$ 6,4 bilhões. Somente durante o Rally dos Sertões 2020, foram doadas cerca de 5 toneladas de alimentos com produtos adquiridos de produtores locais.

Mas nada disso é possível sem o voluntariado, que neste ano deve crescer muito devido à crise de coronavírus. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o trabalho voluntário envolveu 6,9 milhões de pessoas no Brasil em 2019, correspondendo a 4% da população, a maioria mulheres e grande parte com 25 anos ou mais.

Que a cultura de doar e se preocupar com o próximo se torne um legado e desperte a consciência social para o futuro e que a tecnologia ajude a transformar realidades. É essencial que empresas e instituições unam esforços para impactar pessoas e diminuir danos gerados pela pandemia.

*Sabine Zink é cofundadora do SAS Brasil

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