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Fiocruz alerta sobre alta de casos de covid-19 em todo o Brasil e avisa que situação pode piorar com festas

por Gabriel Toueg

Em uma nota técnica divulgada na última terça-feira (8), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez um alerta sobre o aumento, “por todo o território nacional, de maneira uniforme em vários locais e ao mesmo tempo” dos casos registrados de contágio pelo novo coronavírus. De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, o aumento, observado tanto em regiões metropolitanas quanto em cidades do interior do país, pode gerar um alto volume de casos sem possibilidade de atendimento frente ao colapso do sistema de saúde, uma vez que muitas unidades de UTI emergenciais foram desmobilizadas.

⇨ No blog: Ainda não é hora de afrouxar os cuidados 

“Após a fase de expansão e interiorização da epidemia de Covid-19, o Brasil vive a sincronização das curvas epidêmicas, que se caracteriza pelo espalhamento do vírus em todo o território nacional e pela maior mobilidade da população e circulação do vírus”, alerta a nota técnica da Fiocruz, que apresenta dados detalhados da disseminação do vírus até meados de novembro. O Brasil já tem, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 6,6 milhões de casos confirmados da doença, com 177.317 mortes relacionadas ao novo coronavírus.

Maioria dos Estados está em fases ‘vermelhas’, que sinalizam muitos casos (foto: Folha de S.Paulo)

Ainda de acordo com a Fiocruz, o aumento dos casos “se deve ao comportamento das pessoas e à dificuldade de bloqueios com base no território”, o que acentua a importância de que, até que a população tenha acesso a uma vacina viável, todos os cuidados relacionados à higiene (uso de álcool em gel e lavagem constante das mãos, por exemplo), à segurança sanitária (uso de máscaras) e ao distanciamento social (evitar locais com aglomeração) devem continuar sendo observados.

O mapa do país (ao lado) mostra a maioria dos Estados em fases “vermelhas”, que indicam rápido crescimento de novos casos (vermelho mais escuro) ou número estável de novos casos (vermelho mais claro), mas ainda em volume significativo (acesse o mapa atualizado e confira detalhes no site da Folha). Dados de ontem à noite mostram que apenas Mato Grosso, Goiás e Maranhão têm número de novos casos em queda. Segundo a CNN Brasil, seis Estados brasileiros estão com mais de 80% dos leitos de UTI ocupados: Santa Catarina (88,3%), Paraná (87%), Pernambuco (87%), Espírito Santo (83,6%), Mato Grosso do Sul (82%) e Rio Grande do Sul (81,9%). Esses Estados se aproximam do colapso em meio ao novo crescimento nos casos registrados no país.

Festas de fim de ano: cuidado redobrado

A Fiocruz alerta sobre os riscos relacionados às festas de fim de ano, dizendo que a situação pode piorar ainda mais. Nos Estados Unidos, depois do feriado de Ação de Graças, no fim de novembro, houve um aumento significativo no registro de casos de covid-19. Segundo estimativa do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), até 60 mil pessoas poderiam morrer em função do contágio só no período do feriado, quando muitas pessoas viajaram para se reunir com as famílias. O país tem mais de 14,7 milhões de casos confirmados e é o que tem mais mortes até o momento: 281.442, de acordo com a OMS. Só em novembro houve mais de 25.500 mortes.

⇨ Acompanhe os números da covid-19 no Brasil e no mundo 

“Nos próximos meses, com a chegada das festas de fim de ano e das férias, a movimentação de pessoas pode ocasionar um crescimento uniforme entre Regiões Metropolitanas e cidades de interior, sobretudo num momento em que aumenta a circulação de pessoas sem cuidados adequados e sem manutenção do isolamento social”, destaca a nota técnica da Fiocruz. Segundo os pesquisadores, esse crescimento, somado a fatores como a desmobilização de leitos extras dos hospitais de campanha, a ocupação de leitos por problemas de saúde que ficaram represados durante o avanço da epidemia, a maior circulação de pessoas, dificuldades de identificação de casos e de contatos devido à baixa testagem e o relaxamento dos cuidados “podem acarretar um cenário preocupante”.

Para as férias e festas de verão, a Fiocruz prevê “um aumento simultâneo de casos graves em diversos Estados”. Ao Jornal Nacional, Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz) e do Monitora Covid-19, disse que “a gente vê um volume de festas e confraternizações de fim de ano acontecendo, as pessoas estão viajando para encontrar com seus familiares e essa movimentação vai facilitar o aumento do vírus”. Para o especialista, “as redes de atenção de saúde vão entrar em colapso”.

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